8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

É cor de rosa choque

Nas duas faces de Eva
A bela e a fera
Um certo sorriso de quem nada quer
Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama vive a mulher
Por isso não provoque
É cor de rosa choque

Não provoque
É cor de rosa choque
Não provoque
É cor de rosa choque

Por isso não provoque
É cor de rosa choque

Mulher é bicho esquisito
Todo mês sangra
Um sexto sentido maior que a razão

Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie em extinção

Rita Lee – álbum 1982

Um refrão interessante para iniciarmos nossa conversa sobre a comemoração no próximo dia 08 de Março.

Hoje temos à nossa disposição na internet e nos jornais informações e entrevistas sobre o aumento da presença feminina nos postos de trabalho e em cargos de direção de pequenas e grandes empresas, porém ainda é pouco divulgado os resultados obtidos pelas lideranças femininas.

A Data referente a comemoração do Dia da Mulher teve início no final do século XIX nos Estados Unidos e Europa com manifestações por melhores condições de vida, trabalho e igualdade de direitos civis para as mulheres.
Antes de 1975 diversos países adotaram particularmente datas diferentes para homenagear o Dia da Mulher e suas reivindicações. Com isso, a ONU estipulou 1957 como sendo o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, a fim de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Podemos passar horas buscando informações que comprovem a presença das mulheres em descobertas científicas, inovações tecnológicas e gerenciamento de empresas, na direção de ONG’s e outras profissões que também estão indicando resultados além de satisfatórios, como ocorre comumente nas publicações por jornais e/ou revistas especializadas em finanças, políticas sobre os resultados obtidos pelas empresas onde os homens ocupam cargos de liderança.

O avanço que ocorreu nos diversos setores de trabalho com a presença marcante e desbravadora feminina está comprovado; entretanto, ainda é necessário que haja um persistente trabalho de divulgação e assimilação por parte de muitas mulheres , além de precisar acreditar em mulheres e por mulheres para assim reduzir as diferenças e promover um aumento na ocupação dos postos de trabalhos em qualquer escala de direção.

Toda capacidade, competência e habilidade em gerenciamento, inovações e dedicação às ciências exatas e nas outras ciências estão ligados à condição de ser humano e não na classificação de gênero que nascemos.

Diversas mulheres já ocupam cargos de chefia, gerenciamento e CEO nas empresas de pequeno a grande porte, mas o seu reconhecimento e publicação estão atrelados à revista especializadas; é de fundamental importância que estas informações estejam de forma mais amplamente divulgadas, assim estamos estimulando nossas jovens a vislumbrar um futuro de sucesso em profissões que basicamente o senso comum atribui aos homens o desempenho e sucesso garantidos.

Empresas e Universidades tem diversas iniciativas focadas a meninas e jovens para que estas despertem interesse no âmbito científico. Dentre as iniciativas citadas, estão o lançamento de sites, livretos e Olímpiadas direcionadas exclusivamente a elas, como será exemplificado abaixo.
A NASA criou um site, https://women.nasa.gov/, reúne histórias e alguns depoimentos de mulheres que atuam ou atuaram nesta agência , para estimular interesse das meninas nas carreiras que este campo de trabalho necessita.

A Universidade Federal do Paraná lançou um livro de passatempos sobre as mulheres cientistas envolvidas com combate ao coronavírus e assuntos correlatos, ligadas ao projeto de extensão “Meninas e Mulheres nas Ciências” lançado dia 22 de maio de 2020 são apresentadas as histórias das cientistas que se destacaram na identificação do primeiro vírus em 1984, na determinação do DNA, muitas informações importantes e ligadas ao estudo.1

“Professora da Unesp é identificada como uma das mulheres protagonistas da ciência brasileira.”

Sandra Padula, do IFT/Unesp, está entre as 50 mulheres protagonistas da ciência brasileira na área de Ciências Exatas e da Terra, de acordo com pesquisa do projeto Open Box da Ciência.
[…]o CERN decidiu realizar um MasterClass apenas para meninas. Padula imediatamente demonstrou interesse em trazer esse evento especial para São Paulo e, desde sua primeira edição em 2017, organiza também o MasterClass Feminino no SPRACE.

“Na Física sempre houve um número muito menor de mulheres do que de homens, e parece que essa diferença se acentua da graduação para o mestrado e do mestrado para o doutorado”, disse Padula. “Há uma ideia estruturada na sociedade, muitas vezes silenciosa, de que gostar de ciências exatas é uma característica masculina, o que não faz sentido. Esse é um problema cultural sério que propagamos, muitas vezes sem perceber. Por isso, é importante alertar as meninas que profissões em Ciências Exatas são possibilidades empolgantes de carreira e desmistificar a ideia de que essas áreas não são para elas”. […]1

“Da Nova Zelândia à Alemanha, Taiwan ou Noruega, alguns países liderados por mulheres estão vendo relativamente menos mortes pela covid-19.”

[…] Um artigo recente da colunista Avivah Wittenberg-Cox na revista Forbes as considerou “exemplos de verdadeira liderança”.
“As mulheres estão se colocando à frente para mostrar ao mundo como gerenciar um caminho confuso para a nossa família humana”, escreveu.
As mulheres representam 70% dos profissionais de saúde em todo o mundo. Já no mundo político, em 2018, elas eram apenas dez dos 153 chefes de Estado eleitos, de acordo com a União Interparlamentar.[…]2

“Com personalidades fortes e grandes iniciativas as mulheres, ao longo dos tempos, veem fazendo a diferença na Ciências. As mulheres cientistas, de tempos atrás aos dias atuais, estão presentes nas diferentes áreas de conhecimento como Química, Física e Biologia. Hoje é evidente a importância das mulheres e suas conquistas na contribuição das ciências como estudo do DNA, vírus, produção de vacinas, energia nuclear, radioatividade entre muitas outras que poderiam ser citadas. Percebo que as mulheres estão conquistando o seu espaço e respeito da academia, e mostrando ao mundo sua importância na ciência. Fazer a pesquisa cientifica é algo que exige tempo dedicado ao laboratório, além de conciliar vida profissional, pessoal e familiar. Minha trajetória começou quando resolvi escolher como profissão a Biologia, o amor pela escolha impulsionou para novos desafios que me trouxe um título de mestrado em Hematologia Clínica e Experimental e atualmente doutorado em Ciências da saúde, além da pesquisa ainda sou educadora. Porém, sempre acreditei que nós mulheres podemos estar à frente de nosso tempo, e acreditar em nossos sonhos, mesmo com obstáculos, fazer nossas escolhas. Eu escolhi por amor, fazer ciência e ser cientista.” Depoimento da Profa. Msc. Alexandra Siqueira Mello Pesquisadora e Doutoranda do Laboratório de Infectologia Pediátrica Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Docente na área de Saúde – Unifaccamp.

A presença marcante das lideranças femininas no terceiro setor é, na visão da autora desse artigo, um referencial em relação à competência na gerência das diversidades que se agrupam, como por exemplo das 77 organizações associadas ao Grupo de Institutos, Fundações e empresas (GIFE) 51% são líderes mulheres, em seu banco de dados 78% das pessoas cadastradas são mulheres.

Conforme Albanisa Lúcia Dummar Pontes, conselheira do GIFE, concorda que as mulheres oferecem um toque especial para as organizações que investem em projetos sociais. “A mulher tem o seu lado intuitivo mais latente e isso a leva exercer posições de liderança apegada às causas e menos ao poder.”

“Acredito que o diferencial no terceiro setor é o mesmo que a mulher traz nas organizações em geral, como o equilíbrio entre a firmeza e a sensibilidade, entre as competências de negociação e técnica com a competência emocional e interpessoal.”[…]4

A música Cor de Rosa Choque de Rita Lee demonstra os elementos do corpo feminino, suas características e faz menção a transformação física que nos caracteriza como o ser humano gerador da vida.

Estamos avançando de forma mais rápida e contundente em nossos caminhos profissionais, e as memórias que construímos vem alterando significativamente a história que iniciou sua construção a alguns séculos onde a mulher não era responsável pela caça, nem pelo sustento da família e também não podia opinar nas decisões mais importantes no ambiente familiar.

Hoje , conforme IPEA com dados de 2018, 45% dos domicílios brasileiros são comandados por mulheres.

Ainda, as diferenças salariais nas empresas e a presença feminina em nosso parlamento, são caminhos que indicam qual a extensão que devemos percorrer.

Parabéns para todas nós pela persistência,
perseverança e principalmente em acreditar em nosso Potencial!

Marcia Martinelli

Professora Marcia Martinelli, formada em Licenciatura e Bacharel em Química, pós-graduada em psicopedagogia, Química (Interdisciplinaridade, atualidade e horizontes) e especializada em Didática e Prática Pedagógica do Ensino Superior. Docente de Química no Colégio Paulo Freire desde 2011 e do Projeto de Ciências e Suas Tecnologia desde 2016

Referências bibliográficas :

1 MENINAS E MULHERES NAS CIÊNCIAS. Livreto Passatempos Mulheres nas Ciências: Coronavírus. Disponível em: https://meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com/2020/05/livreto-passatempos-mulheres-nas.html. Acesso em: 28 fev. 2021.

2 SPRACE. Professora da Unesp é identificada como uma das mulheres protagonistas da ciência brasileira. Disponível em: https://sprace.org.br/index.php/professora-da-unesp-e-identificada-como-uma-das-mulheres-protagonistas-da-ciencia-brasileira/. Acesso em: 28 fev. 2021.

3 BBC. Coronavírus: por que países liderados por mulheres se destacam no combate à pandemia?. Disponível em:  https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52376867. Acesso em: 28 fev. 2021.

4 IPEA. Liderança feminina é marcante no terceiro setor . Disponível em: https://www.ipea.gov.br/acaosocial/article7720.html?id_article=263. Acesso em: 28 fev. 2021.